Passo a passo da adaptação na sala de aula
http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/guia-de-flexibilizacao/passo-a-passo-da-adaptacao.shtml
Para
flexibilizar o conteúdo, você precisa sondar o que o aluno já sabe, adaptar o
que for necessário e fazer uma boa avaliação. Abaixo, veja a descrição de cada
uma dessas etapas
1º
Diagnosticar
Lembre-se de que, para construir novos conhecimentos, o
estudante precisa contar com um ponto de partida, isto é, com algum
conhecimento já construído por ele e que esteja relacionado ao conteúdo
estudado no momento. Por meio de uma sondagem (um diagnóstico inicial )
descubra o que ele já sabe e verifique como pode contribuir com o coletivo.
Tire o foco do diagnóstico médico e proponha situações desafiadoras para descobrir
até onde o aluno pode chegar. Os laudos médicos são importantes para que
conheçamos algumas características que costumam estar presentes em alunos com
alguns tipos de deficiência, mas não contribuem para planejar o dia a dia em
sala de aula.
É muito comum, sobretudo nos casos de alunos que
apresentam algum tipo de deficiência intelectual, que a preocupação seja sobre
o que “está faltando”, sobre aquilo que ele não sabe, mas isso raramente ajuda.
Em vez de olhar para as dificuldades, foque nas possibilidades de aprendizagem.
Você pode propor uma atividade diagnóstica específica e, no dia a dia, manter o
olhar atento sobre o que o aluno conhece, qual a sua participação em projetos e
trabalhos em grupo e em todas as atividades cotidianas.
A educadora Maria da Paz Castro, da Escola da Vila, em São
Paulo, complementa com um exemplo. Ela cita o caso de um aluno que, ao
contrário dos colegas, ainda não aprendeu a escrever. Se isso acontece o
professor deve investigar o que a criança já sabe em relação à escrita e, a partir
daí, traçar uma meta de aprendizagem. “Saber que ele precisa ser alfabetizado é
muito pouco, muito amplo, e não nos aponta um caminho. Por outro lado,
verificar que, embora não escreva da forma convencional, faz tentativas de
escrita utilizando as letras que compõem seu nome, já nos aponta uma meta
possível de ser alcançada neste primeiro momento”, explica. Nesta situação
imaginada pela especialista é preciso estimular o estudante a ampliar seu
repertório de letras. Isso pode ser feito, por meio da apresentação dos nomes
dos colegas, para que perceba a existência de outras letras e reflita sobre a
melhor forma de utilizá-las.
Outra hipótese, agora na disciplina de Matemática. É
possível que haja um estudante que não se mostra capaz de fazer um cálculo simples,
mas consegue considerar, por exemplo, que a cada dez números contados a
sequência de unidades se repete (21, 22, 23, 24... 31, 32, 33, 34). Para este
exemplo, o educador poderia estabelecer algumas metas, como propor uma contagem
mais longa e a construção de outros conhecimentos sobre a organização do
sistema de numeração, de fundamental importância para que o aluno consiga
resolver problemas matemáticos no futuro.
2º
Adaptar (ou flexibilizar)
Lembre sempre que as atividades são planejadas com base no
contexto da sala de aula. Em algumas situações de adaptação curricular, é
necessário transformar apenas os objetivos das sequências didáticas. Em outros
casos, você deverá flexibilizar os meios para realizar certas atividades,
lançando mão de mais recursos sonoros, visuais ou táteis, por exemplo.
Vejamos: no caso de um projeto que propõe a produção de um
livro de animais para crianças do 3º ano, que, na maioria das vezes já sabem
escrever, temos, para a classe, objetivos que visam a sistematização da escrita,
a construção de procedimentos do escritor relativos ao texto informativo, a
escrita das palavras já fazendo uso de muitas regras de ortografia, entre
outros. Para aqueles alunos que ainda estão em fase de construção da
compreensão das regras do sistema alfabético, podemos ter como meta os avanços
que estes alunos podem ter escrevendo os nomes dos animais, observando e
analisando o material de pesquisa onde se encontram palavras familiares,
arriscando-se a escrever pequenas legendas (ainda que não consigam fazê-lo da
forma convencional) etc. No caso dos alunos que apresentam deficiência visual,
física ou auditiva, nossa função é fornecer-lhes o acesso ao material, lançando
mão dos recursos conhecidos, tais como, aparelhos, lupas, o sistema braile e até
das “nossas mãos”, se for preciso.
O currículo deve ser adaptado ou personalizado se o
professor, junto à equipe pedagógica da escola, reconhecer a necessidade de o
aluno contar com intervenções que se diferenciam de forma significativa das
aplicadas ao resto da classe. Todos os alunos precisam aprender e construir
procedimentos e posturas condizentes com a condição de estudantes. Portanto,
nada de deixar seu aluno com deficiência como “café com leite” da turma.
Para exemplificar, listamos algumas orientações gerais de
flexibilização para casos de deficiência intelectual, física, visual e
auditiva. Veja:
Deficiência Intelectual: cada um destes alunos é único. Por isso, é preciso
conhecer os pontos fracos e fortes dessa criança para fazê-la avançar pelos meios
mais adequados. É comum que estes estudantes tenham dificuldades com conteúdos
abstratos.
Contextualizar as atividades e os conteúdos com situações
do cotidiano podem ajudá-la a aprender. Outra sugestão é flexibilizar o tempo
de realização da atividade conforme o ritmo da criança e repetindo as etapas
sempre que for preciso. Isso não quer dizer que daremos a eles “todo o
tempo do mundo”, pois, assim como os demais, esses alunos precisam ser
desafiados a fazer as atividades em um tempo cada vez mais curto.
Deficiência Física: se o seu aluno possui deficiência física nos membros
superiores, ofereça a ele pranchetas com apoios para que tenha firmeza ao
escrever. Os lápis e canetas também devem estar envoltos em espuma, para que
não escorreguem. Se houver limitação nos membros inferiores, este não é um
motivo para excluir o aluno das aulas de Educação Física. Eles podem participar
jogando com as mãos e você pode adaptar algumas modalidades para que todos
joguem nas mesmas condições.
Deficiência Visual: em parceria com o AEE, ofereça registros escritos em
braile ao aluno cego. Deixe que ele grave as aulas e, se tiver uma máquina
braile, respeite o tempo de escrita desta criança (que pode ser maior que o dos
colegas). Providencie, ainda, estímulos táteis, auditivos e olfativos, para que
a criança consiga perceber texturas, formas e aromas.
Deficiência Auditiva: ter um intérprete de Libras na escola é um direito.
Mas, se a sua escola ainda não contar com a ajuda deste profissional, não
desista. Abuse dos estímulos visuais e táteis, ofereça bons registros escritos
e em imagens e ajude o seu aluno no dia a dia. Proponha que ele sente nas
carteiras da frente e procure falar olhando para o aluno, caso ele seja capaz
de fazer a leitura orofacial.
3º
Avaliar
Determine metas, intervenções e objetivos de aprendizagem
específicos para os alunos que apresentam algum tipo de deficiência.
Consequentemente, a avaliação desses estudantes vai refletir as adaptações que
você fez para ensinar, já que a avaliação é sempre pautada no que já foi dado
em sala de aula.
É fundamental considerar que, se a classe inteira está
fazendo uma prova, esse aluno também deverá ser submetido à situação de
avaliação que, obviamente, deverá ser construída a partir do que foi trabalhado
com ele. Conte com vários instrumentos de avaliação e selecione aqueles que
proporcionem maior número e qualidade de informações acerca do desempenho. É
sempre bom lembrar que os alunos com deficiência precisam passar pelos momentos
avaliação ao mesmo tempo que os colegas. Podemos dizer que este é um princípio
importantíssimo para seu processo de inclusão efetivo.
Ainda que a classe esteja trabalhando na área de
Matemática com as frações, por exemplo, e ele com os cálculos simples, o aluno
deve ser submetido à prova que aborda estes cálculos, deve ser orientado para
estudar, e sua prova deve ser montada como as outras. Detalhes como cabeçalho
idêntico ao da prova regular, sistema de avaliação (notas ou conceitos) e
correção/devolução no mesmo dia e na mesma hora do grupo, são importantíssimos.
A observação do aluno em momentos de aprendizagem ou de
atuação coletiva é mais um instrumento bastante valioso e oferece a
possibilidade de avaliar outros tópicos, que não os avaliados em uma prova, ou
outra situação formal de aprendizagem. Assim, todos os instrumentos são
importantes, mas nenhum deles substitui outro.
Não se esqueça de fazer bons registros de todas as
atividades realizadas com a turma e de guardar as produções dos alunos. Isso
vai ajudá-lo a traçar um panorama de aprendizagem e focar, no planejamento, os
pontos em que o aluno ainda precisa avançar. Você também deve criar relatórios
periódicos com as análises quantitativa e qualitativa do desempenho dos alunos
e utilizar esses dados no momento de replanejar as aulas ou de repensar algumas
atividades.
Lá
existem sugestões para Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia,
História, Arte, Educação Física, Espanhol, Inglês, Creche e Pré-escola.
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